EDIÇÃO 61 da REVISTA COMUNICAR

Competência Digital para Professores. Perspectivas e previsões para uma nova escola

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Vol. XXVII, nº 61, Quarto trimestre, 1 Outubro 2019

Editores temáticos
Dr. Juan Carlos Colomer Rubio – University of Valencia – Spain
Dr. Héctor Hernández Gassó – University of Valencia – Spain
Dr. Bård Ketil Engen – Oslo Metropolitan University – Norway

DOSSIÊ
APRESENTAÇÃO

 

Colaboração:

Cuba. Entrevista a Eileen Sanabria. “Criar redes de colaboração, projetos comuns, diálogo entre quem trabalha a educação para a comunicação”.

Traduzido por: Inês Albergaria (Universidade do Minho/Portugal)

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Eileen Sanabria é a Coordenadora da Rede do Universo Audiovisual da Infância Latino-americana (UNIAL). Investigadora em Educomunicação, Consumo Familiar e Mediações Familiares, em Havana, Cuba.

Referência bibliográfica: Sanabria, E. (2019). Cuba. Entrevista a Eileen Sanabria. «Crear redes de colaboración, proyectos comunes, diálogo entre quienes trabajan la educación para la comunicación». Aularia, 8 (1). pp: 45-52.

Para ver a entrevista completa, clique aqui

A Rede do Universo Audiovisual da Infância Latino-americana (Rede UNIAL) é uma iniciativa fundada em 1986 como parte das atividades do Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano. Naquele primeiro encontro, quem fora seu fundador e coordenador durante 26 anos, Pablo Ramos, decide convocar um grupo de investigadores e promotores culturais para uma reunião sobre investigação social aplicada à comunicação com foco na infância. Pelos resultados e relevância das temáticas abordadas, decide-se que este espaço deve ficar permanentemente dentro das atividades do Festival.
Ainda quando os primeiros encontros tentaram ser apenas um espaço informal onde colegas e amigos dialogavam de forma sincera e participativa sobre estes temas, pouco a pouco, a convocatória foi enchendo os espaços de colegas das mais diversas latitudes. Assim, em 1991, decidiu-se criar formalmente a Rede UNIAL.

A iniciação das crianças na filmagem cinematográfica pode vir de múltiplos espaços tanto formais, como alternativos. O principal é que exista um espaço configurado desde a participação real de todos os que fazem parte. Desta perspetiva, defendemos a ideia de ateliês ou espaços de formação onde também é fundamental o papel do agente formador, que pode ser um adulto, jovem ou outra criança que já tenha feito parte de um espaço deste tipo.

Post original em espanhol – Autor: Enrique Martínez-Salanova

O papel do agressor num cenário de cyberbullying

Traduzido por Ana Duarte (Universidade do Minho/Portugal)

 

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De um modo geral, a temática sobre o cyberbullying centra o seu estudo na análise da vítima, embora seja de grande importância determinar as causas, as variáveis e os fatores que motivam outros a exercer o papel de assediador. É precisamente este o objetivo do artigo que comentamos neste post. Com o título «Fatores sociocognitivos e emocionais na prática de cyberbullying», os autores Elisa Larrañaga, Raúl Navarro e Santiago Yubero, do Departamento de Psicologia da Universidade Castilla-La Mancha, oferecem um perfil rigoroso das variáveis que predizem a prática de cyberbullying, em particular, a relação entre as variáveis sociocognitivas e emocionais com a prática de cyberbullying.

Para o estudo contaram com a participação de 1.062 adolescentes (54% raparigas) com idades entre os 12 e os 19 anos, de seis Escolas de Ensino Secundário de Castilla-La Mancha (Espanha).

O objetivo final do trabalho visa predizer o cyberbullying, e poder atuar com medidas preventivas.

Os resultados alcançados pela investigação foram variados e detalhados, pelo que sugerimos uma leitura pausada para conhecê-los todos, dada a sua grande transcendência para solucionar um dos problemas mais comuns que ameaça a adolescência.

Como citar o artigo:

Larrañaga, E., Navarro, R. y Yubero, S. (2018). Factores socio-cognitivos y emocionales en la agresión del ciberacoso. Socio-cognitive and emotional factors on perpetration of cyberbullying. Comunicar, 56, 19-28. https://doi.org/10.3916/C56-2018-02

Post original em espanhol – Autora: Laura Lopez

“Prossumidores e emirecs: análise de duas teorias”

Traduzido por: Inês Albergaria (Universidade do Minho/Portugal)

O Doutor Roberto Aparici – Professor do Departamento de Didática, Organização Escolar e Didáticas Especiais da UNED em Madrid – e David García Marín – Professor Colaborador do Mestrado em Comunicação e Educação na rede da mesma universidade – escrevem este interessante artigo que retoma a teoria do “Emirec” (emissor e recetor de mensagens) para a contrastar com a de “Prossumidor” (produtor e consumidor de conteúdos).

Para isso fazem uma recolha histórica com uma revisão do estado da questão em que analisam as diferenças entre estes dois processos, que muitas vezes foram considerados equivalentes.

Os investigadores afirmam em jeito de resumo: “A teoria do prossumidor pretende a reprodução do modelo económico hegemónico, procurando soluções desde o âmbito de marketing aos constantes desafios que a indústria dos meios e entretenimento devem enfrentar no mundo digital. Por outro lado, a teoria do emirec conecta-se com modelos comunicativos disruptivos que introduzem novas relações entre meios e audiências e o estabelecimento da lógica da afinidade entre os participantes da comunicação” (pág.71).

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Para ler completamente este artigo clique aqui.

Aparici, R. e García-Marín, D. (2018). Prosumers and emirecs: Analysis of two confronted theories. [Prossumidores e emirecs: Análise de duas teorias]. Comunicar, 55, 71-79. https://doi.org/10.3916/C55-2018-07

Post original em espanhol – Autora: Jacqueline Sánchez Carrero

 

 

Aprendizagem baseada em jogos

Tradução de Catarina Vaz (Universidade do Minho/Portugal)

A gamificação tem vindo a definir-se tradicionalmente como a aplicação de elementos da área dos jogos em atividades que não de jogo e em diferentes contextos, incluindo, certamente, o contexto educativo. O objetivo principal é melhorar a motivação intrínseca dos participantes.

O jogo encoraja a exploração independente, podendo convergir com os interesses e preferências pessoais, especialmente no ecossistema que o rodeia, como habilidades técnicas e artísticas, escrita, desenho, música, mas também o interesse por conseguir mais informação sobre outros temas, como por exemplo a ciência.

Dois autores de Múrcia, Antonio Pérez-Manzano (Professor Associado do Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e da Educação da Universidade de Múrica) e Javier Almela-Baeza (Técnico Especialista em Meios Audiovisuais da Faculdade de Comunicação e Documentação da mesma universidade), escreveram o artigo: “Gamificación transmedia para la divulgación científica y el fomento de vocaciones procientíficas en adolescentes” que hoje comentamos.

No artigo expõem-se de que forma a proliferação de aplicações baseadas na gamificação e, especialmente, na denominada Aprendizagem Baseada em Jogos Digitais (Digital Game-Based Learning, DGBL) abre um panorama de elevado potencial educativo. Nele mostram-se os resultados do desenvolvimento de um projeto dedicado ao fomento das vocações científico-tecnológicas (CyT) em adolescentes, faixa etária na qual se configura a preferência vocacional, utilizando um ambiente online gamificado realizado ad hoc, complementado com recursos transmediáticos e direcionado para a divulgação científica. A diminuição de vocações CyT constitui um dos maiores problemas atuais para a sociedade do desenvolvimento tecnológico em que nos encontramos, com uma diminuição geral de profissionais em áreas chave para o desenvolvimento económico e do progresso.

Após a realização de um inquérito prévio à participação no projeto e o mesmo inquérito após a realização do projeto, os resultados obtidos mostram a elevada eficácia de projetos deste tipo, delineados com base na experimentação online, no conhecimento de situações reais da atividade investigadora e na comunicação de valores e atitudes pró científicas de forma semelhante à da população alvo. Os participantes aumentam significativamente o seu interesse pela profissão científica, pela atividade investigadora e pelo seu benefício social, manifestando a adquisição de conhecimentos e habilidades pró científicas, e salientando ao seu interesse pela temática tratada.

É um artigo de tal forma interessante que lhe recomendamos a sua leitura completa aqui.

Post original em espanhol – Autora: Sara Román

“Espiões e segurança: Avaliação do impacto de vídeos de animação sobre o serviço de inteligência no âmbito escolar”

Tradução de Carolina Carvalho (Universidade do Minho/Portugal)

O professor doutor Antonio M. Díaz-Fernández e a investigadora pré-doutorada Cristina del-Real-Castrillo, ambos do departamento de Direito Internacional Público, Penal e Processual da Universidade de Cádiz, escrevem sobre um tema interessante nos dias de hoje.

A ideia é que no âmbito escolar se adquira conhecimento sobre os organismos de segurança e, desse modo, diminua o grau de insegurança gerado pela propagação de notícias sobre atentados terroristas nos meios de comunicação e nas redes sociais. Segundo o estudo, existem, de facto, alguns projetos relacionados com as ações policiais e militares, mas nem tantos por parte do serviço de inteligência.

Para tal, criaram e produziram dois vídeos de animação com cariz educativo sobre o serviço de inteligência espanhol – o Centro Nacional de Inteligencia (CNI) – de forma a avaliar o seu impacto no âmbito escolar. Como os autores afirmam: «A visualização destes vídeos de animação informativos aumenta o conhecimento do trabalho do serviço de inteligência, diminui os estereótipos associados ao trabalho dos agentes e aumenta as atitudes positivas em relação ao trabalho do CNI.» (p. 83).

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Se quiser ler o artigo completo em espanhol e em inglês, clique aqui.

Díaz-Fernández, A.M. & del-Real-Castrillo, C. (2018). Espías y seguridad: Evaluación del impacto de vídeos animados sobre los servicios de inteligencia en escolares. Comunicar, 56, 81-89. https://doi.org/10.3916/C56-2018-08

Post original em espanhol- Autora  Jacqueline Sánchez 

“Aségurate”, uma ferramenta contra o cyberbullying

Traduzido por Ana Duarte (Universidade do Minho/Portugal)

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Como é interessante o número 56 da revista Comunicar! Depois de ter lido quase todos os artigos disponíveis, releio-os de novo e parecem-me de grande interesse tanto para os comunicadores como para os educadores, e também para qualquer pessoa preocupada com os riscos do cyberbullying.

Paro no artigo Programa Asegúrate. Efeitos na agressão virtual e os seus fatores de risco, onde um grupo de investigadores das Universidade de Sevilla, Córdoba e Jaén analisam o impacto do programa «Aségurate» no cyberbullying e no bullying entre quase 500 estudantes entre os 12 e 18 anos.

Desta forma, os autores concluem que “Asegúrate, para além de ser um programa que reduz e, em algumas ocasiões, reverte o envolvimento em agressões interpessoais, o bullying e o cyberbullying entre os estudantes, reduz e previne também o envolvimento em sexting”. Por isso, defendem que “dado que existem provas de que a conservação no tempo de estes problemas intensifica o seu impacto e os seus efeitos, programas como o que apresentamos aqui deveriam ser ferramentas indispensáveis no desenvolvimento quotidiano dos estabelecimentos de ensino”.

Dada a importância do tema e as provas apresentadas, recomendo a leitura do artigo. Deixo aqui os seus dados, para que possam localizá-lo rapidamente:

Del Rey, R., Mora-Merchán, J. Casa, J.A., Ortega-Ruiz, R. y Elipe, P. (2018). Programa « Programa «Asegúrate»: Efectos en ciberagresión y sus factores de riesgo. ‘Asegúrate’ Program: Effects on cyber-aggression and its risk factors. Comunicar, 56, 39-48. DOI: https://doi.org/10.3916/C56-2018-04

Post original em espanhol – Autora: Ana Almansa